PAIS E FILHOS
Alguns
pais atendem cuidadosamente às
necessidades temporais dos filhos; tratam-nos fiel e bondosamente na
enfermidade, e pensam então haver cumprido seu dever. Nisto se enganam. Sua
obra apenas começou. Importa cuidarem das necessidades do espírito. Requer-se
habilidade para aplicar os remédios apropriados para curar uma mente magoada.
As
crianças têm provações tão difíceis
de suportar, tão penosas em sua natureza, como as pessoas de mais idade.
Muitos
pais agem movidos por pontos de
vista e sentimentos errados. Satanás os esbofeteia, e cedem-lhe às tentações.
Falam irritados, e de maneira a despertar a ira dos filhos, e são às vezes exigentes
e frenéticos. As pobres crianças partilham do mesmo espírito, e os pais não se acham preparados para as
ajudar, pois foram a causa do mal. Por vezes tudo parece ir torto. Há irritação
ao redor, e todos passam momentos deploráveis e infelizes. Os pais lançam a culpa aos pobres filhos,
e julgam-nos muito desobedientes e indisciplinados, as piores crianças do
mundo, quando a causa da perturbação encontra-se neles próprios.
Alguns
pais suscitam muita tempestade por
sua falta de domínio próprio. Em lugar de pedirem bondosamente aos filhos para
fazerem isto ou aquilo, ordenam em tom de ralho, tendo ao mesmo tempo nos lábios
uma censura ou reprovação que as crianças não mereceram. Pais, essa direção seguida para com vossos filhos destrói-lhes a felicidade
e a ambição. Fazem o que ordenais, não por amor, mas porque não ousam proceder
diversamente. Não têm o coração no que fazem. É um trabalho servil, em vez de
um prazer, e isto os leva a esquecer-se de seguir vossas direções, o que vos
aumenta a irritação, e se torna ainda pior para as crianças. Repetem-se as
censuras, sua má conduta é exibida diante delas em vivas cores, até que delas
se apodera o desânimo, e não se lhes dá se agradam ou não. Tomam-se de um
espírito de “não me importo”, e procuram fora de casa, fora dos pais, o prazer
e satisfação que aí não encontram. Misturam-se com companheiros de rua, e ficam
em breve tão corrompidos como os piores.
O
lar deve ser atrativo, e os pais
devem manifestar afeição pelos filhos,
procurando bondosamente ocupação para eles, e instruindo-os com amor na
obediência a seus desejos, haveriam tocado uma corda sensível no coração deles,
e teriam sido prontamente obedecidos por pés, mãos e corações voluntários.
Os
pais devem controlar a si mesmo e
falar bondosamente, louvando as crianças quando se esforçam por fazer o que é
direito, os pais podem estimular
esses esforços, tornar as crianças muito felizes, e lançar sobre o círculo de
família um encanto que afugentará toda sombra escura, aí introduzindo alegres
raios de sol.
Os
pais desculpam às vezes sua errônea
direção por não se sentirem bem. Sentem-se nervosos, e acham que não podem ser
pacientes e calmos e falar de maneira agradável. Assim se enganam eles a si próprios,
e agradam a Satanás, que exulta em que a graça de Deus não seja por eles
considerada suficiente para vencer as fraquezas naturais. Eles podem e devem
dominar-se sempre. DEUS deles requer
isto. Devem compreender que, quando cedem à impaciência e à irritação, fazem
outros sofrer. Os que os rodeiam são afetados pelo espírito que manifestam, e
se eles, por sua vez, procedem com o mesmo espírito, o mal aumenta, e tudo vai
torto.
Pais, quando vos sentis irritados, não deveis cometer um
pecado tão grande como o de envenenar toda a família com essa perigosa irritabilidade.
Em tais ocasiões, ponde uma dupla guarda sobre vós mesmos, e resolvei no
coração não ofender com os vossos lábios; que só haveis de proferir palavras
agradáveis, animadoras. Dizei-vos a vós mesmos: “Não arruinarei a felicidade de
meus filhos com uma palavra irritada.” Controlando-vos assim, tornar-vos-eis mais
fortes. Vosso sistema nervoso não será tão sensitivo. Sereis fortalecidos pelos
princípios do direito. A consciência de estardes vos desempenhando fielmente de
vosso dever vos fortalecerá. Os anjos de DEUS
aprovarão os vossos esforços, e ajudar-vos-ão.
Alguns
pais são de temperamento nervoso, e
quando fatigados com trabalho ou opressos por cuidados, não mantêm um calmo estado
de espírito, mas manifestam aos que mais caros lhes devem ser na Terra, uma
irritação e falta de paciência que desagrada a Deus, e traz uma nuvem sobre a
família. As crianças em suas perturbações, devem muitas vezes ser acalmadas com
terna simpatia. A mútua bondade e paciência tornará o lar um paraíso, e atrairá
os santos anjos ao círculo familiar.
A
mãe pode e deve fazer muito no
sentido de controlar os nervos e o espírito, quando deprimida: mesmo quando
doente, ela pode, uma vez que se eduque, ser amável e contente, e pode suportar
mais ruído do que pensara outrora ser possível. Não deve fazer os filhos
sofrerem as enfermidades dela e nublar-lhes o tenro e sensível espírito com
suas depressões de espírito, fazendo-os achar que a casa é um túmulo, e o
quarto da mãe o lugar mais triste do mundo.
A
mente e os nervos adquirem vigor e resistência pelo exercício da vontade.
A
força de vontade demonstrar-se-á em muitos casos poderoso calmante para os
nervos.
Não
vos mostreis aos vossos filhos de
rosto triste. Se eles cedem à tentação, e depois reconhecem seu erro e se
arrependem, perdoai-lhes tão francamente como esperais ser perdoados por vosso Pai do Céu. Instruí-os bondosamente, e
ligai-vos ao vosso coração.
É
um tempo crítico para as crianças. Influências serão exercidas sobre elas a fim
de aliená-las de vós, e cumpre-vos contrabalançá-las. Ensinai-lhes a fazerem de
vós seus confidentes. Segredem-vos elas ao ouvido suas provas e alegrias.
Animando isso, poupá-las-eis a muitos laços preparados por Satanás a seus
inexperientes pés. Não trateis vossos filhos apenas com severidade, esquecendo
a vossa própria infância, e que eles não passam de crianças.
Não
espereis que sejam perfeitos, nem os busqueis tornar de repente homens e
mulheres em seus atos. Assim fazendo, fechareis a porta de acesso que, de outro
modo, a eles poderíeis ter, e os impelireis a abrir outra porta às influências prejudiciais,
a que outros lhes envenenem a mente juvenil antes que desperteis para o perigo
que correm.
Satanás
e sua hoste estão fazendo os mais poderosos esforços para manejar a mente das
crianças, e estas devem ser tratadas com imparcialidade, ternura e amor
cristãos. Isto vos dará uma forte influência sobre elas, e sentirão que podem
depor ilimitada confiança em vós.
Rodeai
vossos filhos com os encantos do lar e do vosso convívio. Se assim fizerdes,
não terão tanto desejo de se unirem com outras companhias. Satanás trabalha por
meio destes, levando-os a influenciar e corromper a mente uns dos outros. É o
meio mais eficaz por que ele pode trabalhar.
Os
jovens têm poderosa influência uns sobre os outros. Sua conversa nem sempre é
escolhida e elevada. Transmitem-se aos ouvidos más informações, as quais, a não
serem decididamente combatidas, encontram guarida no coração, tomam raízes, e
brotam e dão fruto, corrompendo os bons costumes.
Devido
ao mal que há agora no mundo, e à restrição que é necessário impor aos filhos,
os pais devem ter cuidado dobrado em mantê-los unidos ao seu coração,
fazendo-os compreender que desejam sua felicidade.
Os
pais não se devem esquecer dos anos
de sua infância, de quanto anelavam simpatia e amor, e como se sentiam
infelizes quando censurados e repreendidos com irritação. Devem ser novamente jovens
em seus sentimentos, e levar a mente a compreender as necessidades das
crianças. Todavia, com firmeza, misturada com amor, devem exigir obediência dos
filhos. A palavra dos pais deve ser imediatamente obedecida.
Anjos de DEUS estão observando as crianças com o mais profundo interesse,
a ver o caráter que desenvolvem.
Se
CRISTO lidasse conosco como nós
muitas vezes fazemos uns com os outros e com nossos filhos, tropeçaríamos e
cairíamos devido ao completo desânimo.
JESUS conhece nossas fraquezas e partilhou. Ele próprio, de nossa experiência em
todas as coisas, mas sem pecado; portanto, Ele
preparou-nos um caminho adequado a nossa força e capacidade e, como Jacó, tem
caminhado devagar e segundo o passo das crianças e sua capacidade de
resistência, a fim de nos entreter pelo conforto de Sua companhia, e ser-nos
guia perpétuo.
ELE não despreza, nem negligencia ou deixa para trás,
as crianças do rebanho. Não nos pediu que marchássemos avante e as deixássemos atrás.
Não tem caminhado tão depressa que nos deixasse para trás com os pequenos. Oh,
não! mas tem aplainado a estrada da vida, mesmo para as crianças. E requer-se
dos pais, em Seu nome, que as conduzam ao longo do caminho estreito. DEUS nos designou uma vereda apropriada
à resistência e capacidade das crianças.
Compensará
o manifestar afeto no convívio com vossos filhos. Não os repulseis por falta de
terna compreensão em seus brinquedos, alegrias e desgostos. Nunca deixeis que
haja sobrancelhas carregadas em vossa fronte, ou que uma palavra áspera vos
escape dos lábios.
DEUS escreve todas essas palavras em Seu livro de memórias.
As palavras ásperas azedam o gênio e ferem o coração das crianças e, em alguns
casos, essas feridas são difíceis de curar.
As
crianças são sensíveis à mínima injustiça, e algumas ficam desanimadas ao sofrê-la,
e nem darão ouvidos a alta e zangada voz de comando, nem se importarão com
ameaças de castigo. Muitas vezes se instala nos corações infantis a rebelião,
devido a uma errônea disciplina por parte dos pais quando, houvesse sido
seguido a devida direção, elas teriam formado caráter harmônico e bom.
Uma
mãe que não tem perfeito domínio de si mesma, não é apta para governar os
filhos.
Vencei
vossa disposição de ser exigentes com vosso filho, para que o freqüente
reprovar não lhe torne vossa presença desagradável, e aborrecível o vosso
conselho.
Uni-o
ao vosso coração, não por meio de imprudente condescendência, mas pelos suaves
laços do amor.
Podeis ser firmes e ao mesmo tempo bondosos.
CRISTO
deve ser vosso ajudador.
O amor será o meio de atrair outros corações
ao vosso, e vossa influência os poderá estabelecer no caminho direito.
Tenho-vos
advertido contra o espírito de censura, e novamente desejo advertir-vos acerca
dessa falta. Por vezes CRISTO reprovava
com severidade, e em alguns casos talvez seja necessário que nós o façamos;
devemos considerar, no entanto que, ao passo que CRISTO conhecia a condição exata das pessoas repreendidas, e a
quantidade de reprovação que elas podiam suportar, e o que era necessário para lhes
corrigir a direção errônea, sabia também exatamente a maneira de Se compadecer
dos errantes, confortar o desafortunado, e animar o fraco. Sabia bem como
guardar as almas do desalento e inspirar-lhes esperança, porquanto estava
relacionado com os motivos exatos e as provações peculiares de cada espírito.
Ele não Se podia enganar.
(Fonte: Testemunhos
Seletos 1)

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